22/12/2010

JANELA DE VIDRO



 Janela de vidro


A arte da simplicidade
E a magia do sol no horizonte
Pintavam as cores do céu
E a vida brotava lentamente
No espelho o reflexo azul
Ao longe o vermelho e amarelo
O verde com cheiro de vida
A Terra girava no espaço
O tempo era só uma criança
Um dia seria um grande rei
O bem-te-vi um tocador de canções
Mas o sol apesar de está ali
Brilhava de um terceiro lugar
Chovia e o tempo mudava
Lá fora a grama agradecia
O sol então vinha e alegrava
E as flores então sorriam
Um arco no céu se formava
Eu de cá via tudo acordado
O dia com cuidado passava
E a noite vinha me chamar
Entretanto tudo tão longe
Eu me sentia perdido
Vendo tudo que eu mais queria tocar
Por detrás de uma janela de vidro.

19/12/2010

SE EU PUDESSE

Se eu pudesse

Se eu pudesse
Sonharia o mais alto
O sonho mais profundo
Sem ter medo de cair

Se eu pudesse
Em meu coração
Guardaria todas as lembranças
Tudo que um dia me fez sorrir
Ainda que para isso
Eu também precisei chorar

Se eu pudesse
Em meus olhos
Deixaria que a felicidade
Feito lágrimas
Explorasse cada centímetro
Do meu rosto
Ainda que um olhar tão triste...

Se eu pudesse
Levaria a cada face
Um pedaço do céu
O aconchego
Para afastar o medo
O sorriso para espantar o pranto.

Se eu pudesse
Em meu olhar
Através do meu olhar
Se eu pudesse,
Te daria o mundo que você vive a sonhar.

13/12/2010

CHUVA DE LEMBRANÇAS


Chuva de lembranças

Veja como é bom
Sentir cair os pingos da chuva
Em nossas mãos
Está chovendo tão forte
Que esqueço por um instante
Que sou só mais um entre tantos
Que aguardavam ansiosos
Pela chegada da chuva
E são os mesmos pingos d’agua
Que ao misturar-se com minhas lágrimas
Disfarçam qualquer sentimento de dor
Ao lembrar que não sou o mais forte
Eu não sou o mais bravo
Sou apenas um escravo do tempo
Que aliena as minhas forças
Sou apenas mais um a pensar
“O que há de tão especial nessa noite?”
Tão fria e silenciosa
Ilustrada pela paciência insensata da chuva
Noite calma quando tudo passa
Ficando apenas o caminho longo
De uma lembrança sem fim
Quem sou eu que em meu
Disfarce sutil
Tento ser o mais bravo cavaleiro
A lutar sem proteção
Que vem te fazer sorrir
Quando seus olhos cansados de chorar
Pedem para eu ficar aqui para sempre.

05/12/2010

INTERROGATIVOS DA VIDA

Interrogativos da vida

Hoje eu fiquei pensando por um longo instante debaixo de um chapéu de palha sobre a minha existência aqui na Terra. Será que estou fazendo um bom papel ou estou fazendo tudo errado? Mas quem sou eu se eu nem sei quem sou. Somente mais uma alma ocupando um lugar no espaço, quisera eu ser um ser humano e poder contar com o tempo que leva de mim a chance de eu seguir em frente e não desistir.
Quem me dirá quem sou eu, se ninguém sabe que eu existo, se eu sofro sozinho é porque ninguém já parou para ouvir o meu choro, minhas lágrimas são imperfeitas e por isso não me revela quem sou. Sou eu mais uma incógnita perdida no tempo que o tempo tenta decifrar, eu sou mais uma estrela perdida em algum céu a vagar? Quem sou eu e por que a pergunta que não me deixa continuar dormindo se é que eu estou que sonhos adormecidos aborrecem meus pensamentos e me fazem acordar na hora errada se ninguém me vê ninguém procura saber de mim?
Se eu já fui a alma dos lagos porque hoje não sou lágrimas e sim sofrimentos? Os interrogativos da vida estão por aí para fazer suspenses quando a tempestade acontece em um copo da água, mas a água evapora tudo volta ao normal. E eu fico a olhar da janela um tempo que ainda não passou e me pergunto: o que estou fazendo aqui preso se diante de mim e de uma janela de vidro eu estou a me lembrar da infância e corro pelo jardim enquanto está chovendo?
Quem sou eu se a minha imagem não reflete no espelho, e meus pensamentos são frágeis como o arco-íris que a noite não deixa torna-se visíveis, pois não há sol? Por que o tempo insiste em me dizer adeus se sou eu que estou partindo para não ver o tempo partir?
Se eu sou apenas um poeta amedrontado pelos pingos da chuva, por que será que eu ainda não tentei me esconder por entre as folhas e das pétalas das rosas que morrem no meu jardim?
Preciso entender aquilo que eu sei e que me esqueço, preciso perguntar aquilo que as respostas não conseguem explicar. Hoje a noite será fria e eu não estou com medo do escuro, mas não deixe que e a lua vá embora, eu preciso de companhia e não de perguntas. Ainda sou um pescador de respostas para as perguntas que alimentam a minha alma e que não me deixam morrer no tempo, sou eterno quando deixo de viver o mundo e sonho que nasci outra vez. Sou pequeno de mais para dizer que já me tornei grande o suficiente capaz de excluir o próprio mundo. Quem sou eu e por que a pergunta se apenas hesito em dizer te amo e te amo? Quem são as minhas palavras? Mais um emaranhado de letras desafiando as leis do universo? Sou apenas um ser capaz de dizer:- Eu sinto muito, mas não sei viver sem sonhar.